Ao ler o conto “O bicho da Escrita”, de Rui Zink, algo que imediatamente me chamou a atenção foram as seguintes frases: “Escrever é bom. Escrever as palavras. Escrever as coisas. Escrever o mundo. O mundo dentro de nós. E o mundo fora de nós.”.

Julgo que a escrita é uma das formas mais criativas de escapar à nossa realidade, mas, ao mesmo tempo, de mostrar a nossa própria perspetiva em relação ao mundo em que vivemos.

Nos dias de hoje a escrita é necessária. Tão necessária que, muitas vezes, nem pensamos nas dificuldades que passaríamos se não soubéssemos escrever ou ler. Até atividades pouco significativas que fazem parte do nosso dia a dia, como pegar num telemóvel e jogar um jogo, requerem a leitura e, em muitos casos, a escrita.

Na minha opinião, a leitura e a escrita andam juntas. Uma depende da outra. Se não soubermos ler, é pouquíssimo provável que consigamos escrever. E mesmo que tenhamos um conhecimento de ambas, precisamos da leitura, mesmo que também não prestemos muita atenção a isso.

Além de ser extremamente necessária por uma questão de comunicação, a leitura enriquece-nos o vocabulário, torna-nos mais capazes de perceber e de interpretar textos, histórias e até aquilo que ouvimos. A escrita também integra uma parte grande do nosso dia a dia. Seja na escola, no trabalho ou em casa recorremos à escrita constantemente. Mas existem diferenças entre os tipos de escrita. Não acho que o facto de usarmos a escrita diariamente nos torne escritores ou autores. Escritores escrevem por prazer, por amor, por necessidade. Não a necessidade diária, mas interna. Existe uma necessidade psicológica de escrever, quando se encara isso como um ofício e quando se tem uma paixão suficiente para usufruir desta sem isso ser uma obrigação.

Outra frase que me chamou a atenção foi: “não sei até que ponto isto é uma bênção ou uma maldição”. Identifiquei-me com essa frase, pois, muitas vezes, sinto certa dificuldade em separar a minha vida da minha escrita. Simplesmente não consigo afastar pensamentos relacionados com a própria escrita, mas enquanto isto pode ser um fator “prejudicial” para o meu dia a dia, sinto que é um grande fator que torna a escrita uma coisa tão prazerosa e divertida para mim, como se fizesse parte de quem eu sou. E tenho certeza que faz. Mesmo que às vezes possa ficar incomodada por não me conseguir afastar.

Uma das razões de eu ter gostado bastante deste conto de Rui Zink, além do tema escolhido que é de meu forte interesse, é a própria forma como é escrito.

Concluindo, o autor conta-nos sobre escrever de forma divertida, fluida e prazerosa de se ler, deixando no final de cada frase uma vontade forte de se continuar!

Nina Krivochein