Numa certa madrugada chuvosa 
O outono misterioso e friorento 
Trouxe-me o teu encanto, 
Um encanto de rosas aromáticas. 

E abraçamo-nos em longos silêncios. 
No teu sorriso abriam as flores da primavera,
O sol brilhava como nunca brilhou.

(Quando andávamos de mãos dadas 
Nunca pensei que nos íamos separar). 

Porém, numa tímida manhã, o sol não surgiu. 
E dentro de mim uma neve sem fim 
Um prolongado inverno caiu. 

E descobri em mim, triste, um jardim 
Onde floriram, com espinhos, certas rosas.
“Floriram por engano as rosas bravas”.*

                                                                  Mouhcine Laaraj, 9.ºA, EBAVL

*Verso retirado do soneto de Camilo Pessanha.

Nota: Imagem e poema elaborados no âmbito do DAC «Silhuetas Poéticas», implementado nas turmas do 9.ºano da Escola Básica de Agrela e Vale do Leça.