Era véspera de Natal e eu já estava na casa dos meus avós, onde celebro a festividade desde sempre. A minha família estava reunida na sala de estar a conviver e eu estava no jardim perdido nos meus pensamentos, quando oiço a minha mãe a chamar por mim. Pediu-me que fosse à mercearia comprar uns ingredientes dos quais precisava para fazer a sua sobremesa especial. Deu-me dinheiro e lá fui eu.

Chegado à mercearia, peguei no que minha mãe me havia pedido para comprar e, rapidamente, dirigi-me à caixa para pagar. À minha frente estava um rapaz mais novo que eu. Estava sujo, mas mantinha-se puro ao mesmo tempo. Tinha uns botins desgastados e, apesar das suas pobres condições, estava com um sorriso estonteante. Perguntava-me a mim mesmo o porquê daquela criança, que estava tão sórdida, estar tão feliz. Foi nesse mesmo momento que reparei na sua mãe que, embora estivesse em tão más condições como o seu filho, estava com um sorriso igualmente deslumbrante. Depois de pagar apenas um pacote de arroz, a mãe deu a mão ao seu filho e, muito baixinho, disse-lhe:

– Hoje vamos ter um jantar abastado.

Após pagar tudo na caixa, também eu regressei a casa dos meus avós, muito pensativo sobre o que tinha acabado de presenciar. Passei uma noite agradável rodeado das pessoas que amo e com comida bem farta. No entanto, não conseguia parar de pensar no quão feliz era aquela família, dada a pobreza na qual vivia.

Desde esse dia questiono-me acerca do egoísmo e da cobiça em excesso que há no mundo atualmente. É realmente necessário ter tudo? Não basta ter saúde, alimentação, família? Nunca devemos esquecer o princípio do amor e de espalhar a bondade no mundo, porque toda a bondade que espalhamos ser-nos-á retribuída, mais cedo ou mais tarde. Acima de tudo, devemos dar graças ao que temos e não querer ter mais do que o necessário, porque o necessário é o bastante para sermos felizes e tudo o resto é apenas improfícuo.

Afonso Henrique Lopes, 8.º C, EBSDD