A casa dos meus avós traz-me múltiplas recordações que guardo desde a mais tenra idade. Sinto por ela um carinho especial, pois foram muitas as horas que lá passei, junto dos meus avós que sempre me inundaram de palavras vestidas de afeto.

É uma habitação antiga e grande, não tão grande como parecia quando eu era pequena. No andar de baixo, há uma vetusta mercearia, com um balcão de mármore gasto pelo tempo, onde a minha avó troca dois dedos de conversa com quem passa, atende os clientes ou cusca com as vizinhas. Há também um quintal cheio de flores odoríferas e de gatos que pulam muros para conviver com os felinos dos arredores.

Sempre encontrei nesta casa mil e uma formas de me divertir com os gatescos ou debaixo das escadas, onde se encontrava um saco com muitos brinquedos, ou buscando parcimoniosos tesouros nos lugares mais recônditos.

Agora, olho para certos objetos e recantos da casa e já não os vejo da mesma maneira. O tempo passou, mas recordo muitos momentos simples, como brincar com a antiga balança da mercearia ou dormir a sesta na cama de grades. Isso não esquecerei.

Se, porventura, alguma vez perder esta casa, também perderei parte de mim, pois deixará de existir o cenário de grande parte das minhas memórias mais remotas.

Maria Luísa Braga, 9.º A