Vou apresentar um livro intitulado A Pérola, escrito por John Steinbeck, autor premiado com o Prémio Nobel da Literatura, em 1962. Steinbeck nasceu em 1902 em Salinas, Califórnia, e faleceu 66 anos mais tarde, em Nova York.

Este livro relata a história de Kino (o pai), Juana (a mãe) e Coyotito (o filho), uma família pobre e humilde, mas feliz que vivia da pesca. Quer dizer, feliz até Coyotito ter sido picado por um escorpião!

       Ao longo do livro, podemos acompanhar as várias peripécias deste casal:

  1. A luta pela vida do filho – Kino e Juana fazem de tudo para salvá-lo, até mesmo procurar o médico que sabiam que nunca os iria ajudar. É claro que ele não os ajudou, afinal este era médico de gente e não veterinário! Mas, por um filho, tudo se faz!
  • A pérola – Só o mar podia ser a salvação deles e é nele que encontram a maior pérola do mundo. Aparentemente, a solução para os seus problemas! Mas será que ainda precisavam da pérola? Afinal, a inflamação no ombro do menino estava a desaparecer…
  • A ganância dos que os rodeavam – Todos queriam ganhar com a descoberta: o médico, o padre, os mendigos e os compradores de pérolas. O médico, por exemplo, já passou a ter interesse em cuidar do menino e mente a uma cliente, afirmando: “É um dos meus clientes – disse o médico. – Estou a tratar o seu filho de uma picada de escorpião”.
  • A ambição de Kino – Desde que encontrou a pérola, Kino traçou o futuro da sua família: iria casar, o seu filho iria para a escola, iria ter roupas novas…
  • Os perigos – Foram assaltados, a casa foi queimada, o barco destruído. Kino viu-se obrigado a matar o assaltante para salvar a sua família. E fogem, pois Kino nunca iria desistir da sua pérola e do futuro da sua família.
  • A morte do filho – Kino luta contra quem os persegue, mas o pior acontece: Coyotito leva um tiro na cabeça. Perante tal fatalidade, Kino regressa com Juana à aldeia e atira a pérola para o fundo do mar. Afinal, o bem mais precioso da sua vida, o filho, nunca mais iria voltar!

Que temas é que são abordados neste livro? 

Este livro está cheio de temas bastante atuais, apesar de o ano da sua edição ser 1947. Assim, optei por dar ênfase a dois:

  • Discriminação – Kino era de uma raça diferente do médico e este, apesar da sua profissão, recusa-se a atender uma criança que estava a morrer, chegando mesmo a chamar Coyotito de animal. Como é que é possível um médico, cujo propósito é salvar vidas, recusar ajudar uma criança só porque ela é de uma raça diferente, desfavorecida e pobre?
  • Ganância (Kino) – Desde que encontra a pérola, este fica como que “enfeitiçado” até perder algo que não tem preço: a vida do seu filho. Como diz o ditado, “Quem tudo quer tudo perde”. Lamento é que Kino só tenha chegado a essa conclusão quando já era tarde demais.

Na minha opinião, o ser humano preocupa-se demasiado com o que não tem, desvalorizando aquilo que possui, pois a felicidade não está atrás do arco-íris, está mesmo à nossa frente. Isto faz-me lembrar um pouco o efeito das redes sociais na nossa vida. Reflitam um pouco. Na maioria das vezes, as coisas dos outros são melhores do que as nossas? Esquecemo-nos que os outros também têm problemas e dias menos felizes, tal como nós!

Inês Pinheiro Machado n.º 19, 9.º A