No dia 11 de novembro, realizou-se no auditório da Escola Básica e Secundária D. Dinis, uma Ação de Formação de Curta Duração intitulada “Dislexia: Intervenção Pedagógica”, com a Professora Doutora Helena Serra.

Docentes de todos os níveis de ensino do Agrupamento de Escolas D. Dinis, do Agrupamento de S. Martinho do Campo, da Escola Profissional Agrícola Conde de São Bento e Psicólogas aderiram a esta formação gratuita, promovida pelo grupo de Educação Especial.

Foi ainda feita uma entrevista para o Jornal Escolar à formadora convidada, cuja disponibilidade e simpatia o grupo de Educação Especial também agradece.

 As nossas questões:

  • O que é a dislexia?

 É uma perturbação desenvolvimental que causa dificuldades de aprendizagem específicas. Tem génese neurológica e, em muitos casos, natureza hereditária, atingindo 10% de alunos. 

  • Quais os sinais de alerta a ter em consideração?

Depende da idade e etapa escolar: atraso na fala e/ou na articulação, dificuldades inesperadas na iniciação à leitura e, em fase posterior na aquisição do automatismo, isto é, fluência e compreensão leitora, escrita com erros estranhos e impróprios, alterações na ordem sequencial de factos vividos, erro no reconhecimento de direita-esquerda em si e/ou no outro, na matemática pode fazer alterações inexplicáveis na leitura de números, ter dificuldades na ordenação, na tabuada, não entender os enunciados dos problemas, etc., etc.

  • Em que momento/idade podem surgir esses sinais? Poderá ser logo no Jardim de Infância?

Não se trata de dislexia nessa fase, mas há de facto indicadores de dificuldades que o educador deve saber ler e promover o desenvolvimento das competências baixas, através de treino específico. Tem de atender à fala e linguagem, à consciência fonológica, ao ritmo, à noção de direita e de esquerda, às noções espaciais, à compreensão auditiva, à atenção e memória visual, etc.

  • Como intervir em sala de aula, com alunos disléxicos?

Com todos os cuidados a que eu chamo de “envolvimento pedagógico diferenciado”, isto é, certificar-se de que o aluno conseguiu ler e compreender os enunciados (pode ter de ler as questões ao aluno); estimular a leitura e a expressão verbal do aluno; incentivá-lo, para recuperar a confiança em si mesmo; destacar os êxitos e não enfatizar os erros; valorizar o seu esforço e interesse; atribuir-lhe tarefas que possam fazê-lo sentir-se confiante e que apelem à sua criatividade; evitar o uso de expressões negativas ou expor o aluno; respeitar o seu ritmo de aprendizagem; fomentar atividades compensatórias; esclarecer dúvidas; em testes dar-lhe o tempo necessário; ao recolher o teste deve verificar se respondeu às questões; ao corrigir o teste, valorizar ao máximo a produção do aluno, não contabilizando os erros de escrita; deve valorizar a produção oral que acontece nas aulas; promover um ensino multissensorial; privilegiar a utilização das novas tecnologias; treinar o desenvolvimento e utilização intensiva da memória a curto prazo e a longo prazo; ver a pessoa e não só o aluno. 

  • Considera que o Decreto-Lei n.º 54/2018 de 6 de julho apresenta respostas para esta problemática?

A lei não retira a possibilidade de serem definidas respostas adequadas para estes alunos; na prática é que se percebe que, por exiguidade de saberes e de recursos, são negadas respostas condignas a estes alunos, como sejam a sinalização e intervenção atempada e os apoios especializados de que precisam. Claro que na base está a falta de formação, neste domínio, de todo e qualquer professor, com prioridade para os docentes do 1.º ciclo (muitos docentes afirmam que deveria ser obrigatória).

  • Um aluno que apresente dislexia com co-morbilidade com défice cognitivo ou outra problemática poderá usufruir em simultâneo de condições de avaliação específicas para cada uma?

Naturalmente que sim!

  • Que sinais pode um adulto disléxico, que nunca tenha sido identificado/sinalizado em criança, apresentar no seu dia a dia?

Lê mal, interpreta mal, não gosta de ler, quando lê não retém em simultâneo a informação contida no texto, escreve com erros ortográficos, tem dificuldade em expor por escrito as suas ideias, etc.

A Equipa de Educação Especial