«Sei das Palavras» é o livro de poesia de Alice Coutinho e um convite a que sejam desvendadas com doçura e tranquilidade

Saber das Palavras é ofício de poetisa, saber das Palavras é manuseá-las com elevada qualidade, saber das Palavras é livro de Alice Coutinho que foi lançado no dia 4 de novembro, na Biblioteca Municipal de Santo Tirso, num auditório cheio de amigos da poetisa, de amantes da poesia e, sobretudo, dos dois em conjunto. O livro contou com o apoio da Câmara Municipal, não só na divulgação do evento como na presença do Vereador da Cultura, Dr. Tiago Araújo.

«Sei das Palavras» é o primeiro livro de poesia de Alice Coutinho, professora da Escola Básica e Secundária D. Dinis – Santo Tirso, tirsense de naturalidade e uma promissora poetisa vista a qualidade dos textos que constituem a obra. A poesia vem ilustrada por desenhos do artista plástico Rui Coutinho e tem a chancela da Editorial Novembro. A apresentação do livro esteve a cargo de Manuela Oliveira, igualmente responsável pelo prefácio, e também docente e colega da autora na mesma escola. A escritora Fabíola Lopes abordou o livro de forma comparada mostrando algumas das influências percetíveis nesta novel autora. De destacar ainda, com toques particularmente luminosos, a declamação de vários poemas feita por alunas e ex-alunas da autora, bem como vários momentos musicais protagonizados pela violinista Vera Dias.

Os trinta e nove poemas estão divididos em quatro grandes temas: “Rumores do Silêncio”, “Penumbra das Sílabas”, “Silêncio das Palavras”, “Mil Palavras” e traçam linhas de leitura de grande densidade poética trabalhadas durante anos antes de, finalmente, verem a luz do dia em forma impressa. A poesia de Alice Coutinho, com cunho de excelência, amadureceu longamente e foi-se refinando antes de nos ser dada a conhecer. Mas a publicação não significa finalização mas tão só um primeiro tomo de uma busca permanente e incessante. A busca de uma voz própria e a descoberta – alquímica – da linguagem. A transformação, nessa busca, da palavra imperfeita, vazia, despida de significado, mera entrada de um qualquer dicionário, na perfeição – inatingível, é sabido – em palavra prenhe de significados e ferramenta de criação de mundos. Saber das palavras coloca o eu poético entre “deus”, o demiurgo, o criador de mundos e Sísifo aquele que apesar de nunca conseguir se afirma como o que nunca desiste de tentar. E se o criador é demiurgo a criação, o(s) poema(s) assume(m)-se cosmogonia(s). Mundos criados. Ora, a palavra, na sua plurissignificação, vive de ressemantizações que levam à criação da obra de arte poética. Com uma poesia eminentemente solar, tanto o bem quanto o mal são pertença desta poetisa que sabe das palavras e que opta pelas que abrem caminhos de luz e de vida. Mas outras também aí estão. A palavra como artefacto, como parte do quotidiano. Paz, amor, paixão, serenidade, tranquilidade. E incontinência, raiva, violência, guerra. A palavra como utensílio da essência e da existência do leitor. A palavra, transformável em pedra ou em flor. Cabe-nos fazer a opção pela luz ou pela sombra. Da sua descodificação – porém – ninguém sairá ileso.

Joaquim Santos