Por vezes, sentimo-nos pequenos, abafados pelo mundo, por aquele murmurinho ensurdecedor que nos embala na sua sistemática melodia e que silencia o nosso grito mais profundo.

Por vezes, paramos no tempo, assimilamos a nossa frágil condição humana e deparamo-nos com a existência de um coração pulsátil agrilhoado e silenciado.

Por vezes, uma força interior exalta-se, eleva-se e sobressai! Deixamos de seguir uma maré monótona, seguimos o nosso próprio rumo e os nossos pensamentos e sentimentos tornam-se ações.

Por vezes, um grito torna-se verbo e um verbo, um ato.

A liberdade está na essência do ser humano, não é um bem inato, mas algo que nasce na ínfima parte da nossa consciência. Assim, num mundo tão livre e aparentemente perfeito, de que modo a liberdade de escolha afeta o nosso futuro?

Desde os tempos primordiais, o Homem, um ser racional, filosófico e extremamente reflexivo, questiona-se sobre a existência da utopia. Essa, tão aclamada, enaltecida e desejada por Thomas Morus, tornou-nos peregrinos dessa viagem…

A emigração, desde sempre, foi o espelho dessa incessante e inalcançável procura. Deixar tudo e partir em busca de condições perfeitas já não é algo tão avassalador e insólito, a sociedade habituou-nos a isso, conformou-nos.

Hoje em dia, partimos, não como marinheiros prontos para a descoberta e sedentos pela imortalidade, mas vamos transportando, connosco, na sola do sapato, as poeiras da nossa pátria e, no coração, as memórias do nosso povo! Já não somos os marinheiros descobridores que sonham alcançar a lã de ouro e uma estrelinha lá no céu, mas somos os cidadãos do mundo!

Atualmente, a emigração não acontece por um simples capricho ou prazer, mas sim por uma obrigação subliminar e uma necessidade transcendente… Mas, até que ponto essa liberdade da essência do ser humano se verifica? Talvez tenha de se libertar para, através de um grito, se fazer verbo?!…

Ana Margarida Lopes ,10º C